terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Baile de Máscaras













Você é Pierrot
Eu sou Colombina
Você é todo másculo
E eu, puramente, feminina.

Nossos olhos se encontram 
E, ao se cruzarem, brilham
Nossos passos descompassados
Se procuram e se trilham.

Nossos corpos trêmulos 
Se abraçam e se aquecem
Nossas bocas sedentas
Em um beijo enlouquecem.

Não vejo seu rosto
Como você não vê o meu
Mas meu coração reconhece o amor
Da mesma forma que o seu.




segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Dentro do carro, a cem por hora, meu amor...

Hoje, ao ouvir músicas no Taxi onde estava, fiquei saboreando estrofes como quem saboreia o manjar dos deuses. Ando com o estado de espírito debilitado e minha sensibilidade aflora mais do que nunca. Ao entrar no carro pensando na atividade rotineira para a qual estava indo, tive ímpetos de pedir ao motorista para que parasse o veiculo, pois eu queria descer... Me peguei querendo descer do mundo!

O santo motorista estava escutando um CD feito por ele e que me fez viajar nas palavras e frases, mas, principalmente, nas entrelinhas e nos meus anseios em resolver meus problemas.

A primeira música que me despertou os sentidos foi Léo e Bia, exatamente, na parte que diz que falar de amor requer maestria. Sim, o amor requer maestria, requer quem nos guie para que, juntos tenhamos a mesma vibração e sintonia. E Léo e Bia souberam amar! Eu... Eu, ainda, estou aprendendo a solfejar o amor. Talvez, eu demore um pouco, depois de descobrir, por exemplo, que não só os meus castelos nascem dos sonhos... E Léo e Bia souberam sonhar!

Logo eu, sonhadora de carteirinha, sindicalizada pelo Sindicato dos Eternos Amantes à Moda Antiga, vi que estou desafinando ou me especializando no famoso samba de uma nota só. Ando repetitiva, sem inspiração e, tudo isso, graças ao amor que tem andado mais para "paralelos do ritmo" do que uma orquestra.

Logo eu que não escondo o que sinto porque me denuncio, seja com um olhar, com à lágrima que escorre , com o sorriso sem brilho ou com a cabeça baixa! Meu silêncio tem o poder de dizer todas as palavras e meu pranto o de apagar os melhores sorrisos que dei, as lembranças do que vivi... Tudo isso porque  Sentimental eu sou... Eu sou demais!

Quero ser carne e unha, quero que meu coração bata forte em uníssono com o de meu amado até confundirem ou se fundirem num só. Assim como nossos corpos que são duas forças que se atraem, quero voltar a viver sonhos lindos e, principalmente, concretizá-los. Mas, me falta uma coisa: falta-me ser e agir como Léo e Bia e junto com "meu Léo" adquirir maestria para, enfim, aprender o que é amar!

Assim como canções, as paixões são imortais. Por isso, leve o tempo que eu precise, eu amarei até que minha mortalidade não mais me permita. Entretanto, preciso de maestria na paciência e na devoção. Preciso ser a metade da laranja, ser a amada, a amente, a paixão tórrida de alguém. Da mesma forma, preciso amar como se fosse a primeira vez e a única e, novamente sentir o prazer de ver alguém me fazer feliz!

... Seu infinito sou eu! Sonho com isso!

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Mudar: vale a pena?

Hoje eu li o seguinte trecho: " O mundo não se beneficia do excesso de críticas da mesma maneira que se beneficia do amor. Quantas vezes você mudou por alguém que o criticou? E por quem o amou?" e me peguei perguntando quantas vezes fiz os dois. |Inúmeras! Incontáveis! E me perguntei, em seguida: valeu a pena? Não!
Digo isso que sou uma pessoa consciente de que não podemos viver camaleonicamente para agradar aos outros porque a recíproca não é verdadeira em quase 100% dos casos. A cada cicatriz, mágoa, danos psicológicos que só alguns anos de análise podem resolver. A cada mudança perdemos nossa essência e criamos uma armadura que nos impede de sermos quem somos e, pior, de enxergarmos nossos erros. Deixamos de acreditar em nós e passamos a ser uma fantasia, uma utopia, tanto para nós como para com quem convivemos.
|Então, a melhor mudança a fazer é não mudar por nada e ninguém, mas sim mudar essa mentalidade de esteriótipos que temos que ser para sermos aceitos na sociedade. Se não nos aceitarmos com todas nossas falhas, defeitos, biótipos, sexualidade, qualidades, ninguém nos verá como somos de verdade. Seremos, eternamente, um pano de fundo para a realidade e pisaremos em ovos, sempre, para não incorrermos no erro de deixarmos nossa máscara cair.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Amigos - melhor tê-los do que perdê-los

Ontem, assisti um filme chamado Mulheres... Sexo Forte e achei muito interessante a temática em si do filme. Quatro mulheres, quatro amigas, sendo uma solteira de meia idade que só pensa em manter o emprego dos sonhos e por isso abre mão de filhos, namoros, chegando ao ponto de trair a confiança da amiga para garantir seu lugar no trabalho e, claro, fica sem o emprego, mas ganha o perdão da amiga porque amigos perdoam. A outra, de tanta desilusão com os homens passa para o lado de lá e se assume lésbica. A terceira parece daquelas que vive em um mundo que não existe. Mãe de quatro crianças (escadinha), começa o filme engravidando da quinta porque quer tentar um menino. Estilo "sempre cabe mais um". E a última, a artista principal, casada com uma personalidade importante do mundo financeiro de NY, podre de rica, desenha roupas para a loja do pai, dessas lojas que não dão lucro, mas que é o que ela gosta de fazer. Ao mesmo tempo mesmo sendo esposa de milionário, não tem uma brecha para ir na manicure ou dar um jeito no cabelo, anda com roupas que parecem ser compradas em mercado das pulgas e com direito a galochas de borracha, porque ela é quem planta as alfaces que come, ela que coloca o piso do banheiro quando tem reforma, essas coisas que só as mulheres americanas fazem porque são super-mulheres. Um dia, ela vai à manicure, na SACS da Quinta Avenida (não sei por que ela não faz as próprias unhas e corta o próprio cabelo, já que é a Mulher Maravilha, mas, enfim, já que é pra outras fazerem, vamos logo na SACS e não no salão de beleza da esquina...) e descobre pela profissional fofoqueira que o marido a traía com a moça que vende perfumes na mesma loja. E o filme se desenrola. O final é muito bom e bem ao estilo americano de dar tudo certo para todo mundo. 

A filha da ricaça, que faz tudo em casa, não tem tempo de conversar com a mãe que está sempre ocupada. Por isso, adivinha com quem ela tira suas dúvidas sobre tudo? Com a amiga da mãe que não quer filhos porque não pode perder o emprego, nunca se casou e nunca soube como lidar com crianças além de nunca ter tido uma relação sólida para saber as venturas e desventuras de uma vida amorosa. A menina não come, mas fuma escondido porque o cigarro tira a fome e emagrece. Não preciso dizer que a menina era magra quase esquálida! Mas, ela segue os rígidos padrões ditados pela moda: todo ser humano feminino tem que ter medidas de modelo, isto é, tem que se vestir usando uma roupa de uma única listra. Se usar duas listras, está gorda! Tem uma cena onde, num almoço, uma modelo, faminta, está num mal humor terrível e sua namorada, a amiga lésbica, justifica dizendo ser fome. De repente, elas procuram a Natasha (toda modelo tem que ser Natasha?!) e esta aparece comendo, disfarçadamente, uma folha de guardanapo com um copo d'água. Trágico se não fosse cômico, mas é isso que acontece. Bom, numa resumida básica, a ricaça resolve colocar o marido para fora, mas seguindo conselhos da mãe, que dá a entender que toda mulher é chifruda de nascença, começa a fazer ciúmes para o marido com o objetivo tê-lo de volta porque "as amantes, seja lá quantas forem e vadias por natureza, passam e a família sempre prevalece"! A filha resolve mudar o visual, dá lição na fofoqueira que, por sua vez, conta tudo para a amante - fofoca é uma minhoca que se torna uma anaconda e devora, consome e mata - e dá seus primeiros passos rumo ao estrelato como estilista consagrada. E todas, inseparáveis, com todas as traições, conflitos, falta de diálogos, participam do parto do menino tão sonhado (sendo hilária a reação da amiga homossexual ao ver um o bebê nascer!).

Em seguida, eu vi o filme Sex and the City onde, quatro amigas inseparáveis, dão todo o apoio à personagem principal, Carrie, que foi deixada no altar pelo seu grande amor, o Big. O apoio foi tão grande que elas vão para a lua de mel com a Carrie e tentam, de todas as formas, fazê-la voltar para à vida. E entre trapalhadas, cenas divertidas da Samantha, a dúvida se reatar o casamento ou não de Miranda e a gravidez tão sonhada de Charlotte, o filme se desenrola, a vida segue, o amor acontece e o principal, a amizade é o ponto de apoio de quatro pessoas que passam por tudo, juntas, graças ao companheirismo, à cumplicidade, ao amor que cada uma sente pela outra. 

Não me lembro em qual dos filmes ouvi uma frase que me marcou muito. A frase era mais ou menos assim: "Estou com medo de estar vivendo a Síndrome do Membro Fantasma. Você perde um pedaço importante do seu corpo, mas sente como se ele, ainda, estivesse lá."

Em ambos os filmes um homem teve o poder de acabar com uma relação e fazer com que a mulher que lhe dedicava não só amor, mas os seus melhores momentos, sentimentos, pensamentos, sonhos e como se não bastasse, continuava ali, fosse na traição que não cura a dor da ferida, na falta de caráter de dizer, pessoalmente, que tinha medo de compromisso, na mágoa que ambos causaram com direito à dor, a perda de auto-estima, de achar que uma parte de si tinha sido arrancada, menos a maldita memória e lembrança... E, seja em qual for o filme que essa frase foi dita, graças a amizades sólidas, a heroína principal saiu do outro lado.

Eu recomendo os dois filmes se vocês quiserem rir, pensar, mas principalmente, se desejarem saber como a vida muda e como fazer para tomar as rédeas desse trem desgovernado que ela se torna. Claro que não são filmes cheios de questionamentos psicológicos, muito menos de auto-ajuda. Eu diria que são filmes gostosinhos que, nas suas comicidades e cotidianos fantasiosos, pelo menos, fazem a gente ver que essas coisas são normais, estão aí sendo retratadas com doses de humor e que o que nos salva, no frigir dos ovos, são as nossas amizades, aquelas que se dedicam a nós! Não importa o que possam pensar os outros, os verdadeiros amigos largam tudo para nos ajudar a sair do buraco. Os amigos têm sempre um espaço em suas vidas e agendas lotadas para nos resgatarem, nos consolarem e nos mostrarem o quanto somos importantes para elas e para nós mesmos. Quem tem amigos, deve saber conservá-los. Quem tem amigos, deve sempre pensar em não magoá-los porque a vida é efêmera, as relações mudam, acabam, são traídas, voltam ao zero para serem recomeçadas... E o que fica, depois de um turbilhão, são os amigos de verdade.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cinquentinha... Com corpinho de cinquentinha!!!

É... Estou chegando perto de comemorar uma data histórica: Cinquenta anos! São cinquenta anos de aprendizado, tombos, ralação, mas também de muita alegria e conquistas.

Claro que nunca foi fácil. Aliás, nada comigo vem fácil, mas com certeza muita coisa foi embora fácil e sem explicação ou razão que a própria conheça. Diz o dito popular que tudo que é mais difícil é mais gostoso. Mentira! Claro que facilidade demais não é bom porque se até o santo desconfia, que dirá euzinha, uma pobre e reles mulher brasileira que insiste e não desiste de ser feliz?! 

Agora, mais que nunca, nesse momento eu costumo fazer reflexões sobre a minha forma de viver, o que fiz, deixei de fazer, o que sonhei, o que plantei, o que colhi... Balanço amplo, geral e irrestrito. Não sei se quero esquecer, propositalmente, de muita coisa que fiz ou se a memória já mostra o desgaste do tempo, mas existem fatos, pessoas e situações em que, se pudesse voltar atrás e corrigir meus atos e discursos, eu faria. Magoei e fui magoada. Ouvi, li e vivi coisas que não merecia e pode-se dizer que retruquei à altura. Pois é, sou humana e erro como todo mundo. Mas, como poucos, assumo e me desculpo. Acreditem, o tempo ajuda a gente a reconhecer os erros e a falar "perdão" com mais facilidade.

Esse ano, em especial, foi o ano onde as amizades foram postas à prova. Aqueles que eu julgava amigos de todas as horas fugiram ao primeiro sinal de naufrágio do meu bote (não posso ter um iate ou navio... Ah, maldita pobreza!!!). No entanto, pessoas que nem imaginava se mostraram fieis cães de guarda da minha sanidade, do meu amor próprio e da minha família. Para os que me deixaram à deriva, o meu eterno carinho e a certeza de que, se acontecesse há alguns anos atrás eu estaria rogando "pragas malígrinas"... rsrs.  Vocês podem se considerar pessoas de sorte! rsrsrs Aos que me deram todo o suporte, que agiram como seres humanos, dividindo o peso para multiplicar a força, eu não tenho palavras que definam minha gratidão. 

Como qualquer pessoa, eu sonhei. Ah... Como eu sonhei! Se é para sonhar eu me penduro na Torre Eiffel e pulo de asa delta neles, sem medo de ser feliz! E, como quem arrisca, eu dei com a cara em muita parede de incompreensão, de solidão acompanhada, de frustração, de incerteza mais que certa... Mas, não me arrependo porque foi me levantando (ou em processo constante de tentativa de me levantar) que me moldei uma pessoa melhor. Foi sendo desrespeitada que aprendi a respeitar. Foi passando apertos que aprendi a dar valor a tudo que tenho. A gente só aprende errando... 

Enfim, se eu pudesse dar um presente a mim mesma eu me daria um conselho e procuraria segui-lo à risca: Não deposite sua felicidade nas mãos de outra pessoa. Confie mais no seu taco, usufrua da sua liberdade de ir e vir, de ser e pensar. Ame alucinadamente, como se não houvesse amanhã, mas com os pés grudados no chão, porque o amanhã existe, acontece e nem sempre do jeito que se espera, logo, estar preparado para as rebordosas é a estratégia para não fenecer. E acredite que tudo que faz você sofrer vai passar. Afinal, tudo nessa vida é passageiro, menos o trocador e o motorista!

Feliz cinquenta anos pra mim! Que Deus me dê saúde para comemorar os meus cem anos com um belo baile mela fralda geriátrica!!!! Amém!!!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Vou sobreviver? Vou sobreviver...


Quando me lembro do que me aconteceu quando lhe conheci, eu me pego pensando se faria tudo de novo. Se valeria a pena abrir a porta de um baú de fantasias e sonhos reprimidos e vivê-los, novamente, ou se eu faria diferente, eu enterraria esse baú o mais profundo que fosse ou jogaria em alto mar, para que, ao sabor das ondas, eles, meus sonhos, ambições, fantasias e carências se afastassem com a maré.

Até hoje não sei se fiz a escolha certa, a de viver intensamente, passionalmente e apaixonadamente cada experiência. O futuro, que está tão presente em certas horas me dirá que não, mas o presente que toda hora se transporta para um delicioso passado diz que sim. É nesse dilema que habito. É nessa encruzilhada que me perco. E tudo o que eu quis, nessa loucura de vida, era amar e ser amada por você.

Faço de tudo para me tornar presente, mas como todo ser humano, sua presença só é sentida quando se torna ausente. Eu ando na contramão da vida porque sua ausência cada dia que passa  se torna mais presente e, como eu li um dia desses, a palavra "saudade" consegue reunir poucas letras que, somadas, causam um estrago fenomenal! E causam mesmo!!! É legal sentir saudades do que nos fez bem, mas quando esse bem é concreto, está junto mesmo longe e é seu, mesmo nunca tendo sido, a dor se torna visceral! Ela se torna profunda, é na alma, não se respira, ela vai e vem como a maré onde o baú de lembranças flutua! A gente se afoga nela! 

Que você não seria meu eu já sabia. Não foi por falta de palavras ditas sem piedade quando bastava um sorriso de atenção, sem compromisso, mas com respeito ao que se viveu. Por mais que você diga não eu existo e eu sou isso ou aquilo, eu não sou nada. Porque, quem é algo merece mais que uma frase feita. Merece, como eu penso e faço, saber o que representou, o que ainda é, o que marcou e marca, o que você espera dela e nunca vem... E por que nunca vem? Porque o que você gostaria que viesse está sendo dado para outra pessoa que não você. Uma pessoa que você só sabe o nome, só viu a foto, só vê que faz ele feliz e que você odeia! Que você só torce para ela ir embora! Só deseja que ela desista e, aí então, você voltará a servir para ouvir, para acalentar os medos e decepções, para dar amor, esse amor guardado em seu peito como um punhal que futuca e machuca e precisa ser liberado e aceito pela pessoa amada... Isso até ele achar outra que sirva e, aí, você volte para o anonimato que lhe pertence e para o lugar e momentos já esquecidos do qual você fez parte...

Eu queria um mundo inteiro só com você. Um mundo colorido, perfeito, com sorrisos, cumplicidade, carinho, olhos nos olhos, construído tijolo por tijolo, dia a dia. Eu não tenho nada! Tenho, quando muito, segundos de uma tela de computador... Nem mais a vontade de me ver existe mais... Para mim, restou isso, para ela ficou o filé. Tudo é dela, para ela... Aí eu vejo que não dá para concorrer com a idade. Não dá para concorrer com a distância que ajuda a ela e a mim prejudica... Ou melhor, até daria, mas não dá para concorrer com ela e o que ela passou a representar na sua vida. É sofrido, mas é a verdade.

Eu digo que perdi tudo, mas não posso ter perdido o que nunca existiu. Tudo isso só existiu nos meus devaneios e estes serão colocados no baú e jogados fora, para que o mar os leve... Se a maré trouxer de volta, espero que não me encontre. Se encontrar, que eu esteja curada dessa doença chamada amar sem ser amada. 

A resposta para o começo desse desabafo está aqui: Não! Eu não faria tudo de novo! Eu disse, várias vezes que faria e sofri em todas, de forma insana, dolorida, cruel. Hoje, eu estou no meu limite da dor, apesar de não estar preparada para o que você pensa ou vai deixar de pensar... Mas, arriscaria dizer que a dor da perda é menor que a dor de não ter de verdade e achar que se tem... Que a dor de nunca ter sido nada... Eu não quero mais ter o resto da vida que me resta para me arrepender. 

Você não vai sentir a minha falta, eu garanto. E eu? Eu vou. Muito. Demais. Vou me rasgar, morrer e, depois, renascer. Vou sobreviver!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Renascimento

Essa é a palavra chave para definir esse feriado. Não é pra descansar o corpo, a mente, sair, beber, farrear com os amigos. Esse feriado de Páscoa é para uma reflexão. É para sermos mais humanos e entender que cada qual tem sua cruz. Cada cruz, um peso e esse pode ser amenizado quando pessoas se dispõem a nos ajudar sem nada pedir, pelo simples prazer de fazer o bem. Renascer não é apenas o ato de ressuscitar pregado pela Igreja Católica do Cristo pregado na cruz. Renascer é buscar dentro de si uma nova pessoa, se possível, melhor que a que existia e incorporá-la a fim de que agregue valores positivos, sempre!

Eu posso dizer que precisei descer ao fundo do poço para descobrir que tinha forças para renascer. Precisei reavaliar minha vida, minhas seguranças, minhas certezas que eram tão verdadeiras que, ao se perderem fizeram meu entorno se estilhaçar. Eu fui avaliada, julgada, crucificada por ser uma pessoa amiga, fiel e presente. Ao invés de me estenderem a mão, me jogaram palavras que me feriram mais que espinhos. Sangrei. Caí. Deus sabe como foi complicado me levantar e provar pra mim mesma que a vida era bem mais que o meu entorno espatifado. 

Hoje, não acredito mais em sonhos fantasiosos e nem em premonições mirabolantes. Hoje, acredito em minhas pernas que me guiam tendo como motorista o meu cérebro e não mais o meu coração. Aprendi a ser dura. Entretanto, sou a candura com quem merece. Todas as incertezas se foram. As certezas se resumiram a duas: eu estou viva e a morte um dia chegará. Não acredito em promessas, em amores, em almas gêmeas, em encontros, em destino, menos ainda em sintonia de almas e pensamentos. Hoje sou pão através do meu corpo físico e sangue através de minhas veias e graças a eles e a fé inabalável no Pai que não nos desampara, que me sinto viva. 

Dos muitos conhecidos recebi sessões de psicologia barata gratuita. Afinal, o que é a pimenta nos olhos dos outros? De quem julgava amigo, recebi a dor da indiferença, a crueldade das palavras e morte da alegria que existia em mim. Hoje, sou fruto do meio. Não ofereço a segunda face e não aceito o beijo doce da traição. Tenho meus pés firmes e sólidos no chão e nada e, principalmente, ninguém vai conseguir me derrubar porque na fraqueza encontrei a força, na estupidez humana encontrei a sabedoria, no amargor das palavras proferidas encontrei o silêncio calmo que me ensinou a escutar mais do que dizer. No afã de ser útil me fiz inconveniente, mas apesar disso, continuo acreditando que todos, inclusive eu, temos que servir ao próximo. 

Páscoa é renascimento e eis-me aqui, nascendo de novo para uma vida que não sei bem onde ou quando terminará, mas sei que há de ser como eu mereço, afinal, eu mereço ser feliz! Amém!